Mulher-Muralha feita de verdades e vontades,
Fêmea-Minimalista surgida das poucas porções de vida,
Pessoa-Indefinida forjada pelas incertezas não vividas,
Criatura-Montanhosa de grandes dimensões e pequenas decepções,
Quero minha parte oculta e escura onde pouso descansada,
A luz ofusca a visão e perturba o razoável,
A cabeça dói e lateja por ser quem queria não ser,
Tarde, muito tarde para mudar de direção,
Misturas de coisas sentidas e passagens lacônicas,
Uma estrada coberta de poeira e barro deslizante,
Os escorregões e as fissuras nos joelhos são bem-vindos,
Provas na carne do trecho percorrido e machucado,
O terço entre os dedos, a guia no pescoço, a bíblia nas mãos,
Símbolos, sinais e arquétipos de fé,
A abertura para o novo entopem os ouvidos,
As vozes se confundem como se vindas do além,
As palavras já não mais se decodificam,
Quero um local povoado pelo silêncio e gente,
Gente vinda com a calmaria da morte,
Quero a cama quente e meus lençóis frígidos e frios,
Quero a lama do pós-chuva, a sujeira do mar pós-ressaca,
Arar minha vida, sugar o ar e ser engolida pelo deserto árido,
Enterrar mortos e vivos, desenterrar mortos-vivos,
Vagar por entre almas e de sobressalto ter o imprevisto por designo,
Sulcar cada centímetro de sopro de vida e viver,
Quero a presença, o espírito, planos e metas.
Quero.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Transparência

Então foi assim, uma surpresa. Nem agradável, nem desagradável, apenas mais uma surpresa que meu coração já anunciava há algum tempo.
Respeito
Pessoas têm comportamentos comprometidos com seus momentos de vida, agem de forma mais ou menos coincidentes com suas verdades e mentiras dos seus "agoras".
Porém, isso pode variar de pessoa para pessoa e estar ou não em concordância com seus espaços de tempo, mas transparecem suas certezas ou incertezas muito claramente aos meus olhos.
Acalento.
Gostaria, realmente, de ser pega no ato, mas minha percepção antecipada e aguçada, normalmente, me poupa do sobressalto e do inesperado, tornando, por vezes, a vida meio sem graça.
Porque o interessante é não prever e sim viver.
Mas no estágio em que já me encontro, não dá mais para lutar contra a natureza do meu self.
O negócio é enfrentar, segurar a minha onda, dissimular, me fazer meio de idiota e até posar de violeta com cara de hortência em várias situações.
Individualizo.
Não foi de propósito e nunca quis me passar por bruxa.
Foi uma coisa inexplicável, instintiva, irreparável e involuntária que foi crescendo comigo e eu, de minha parte, fui aprimorando desde sempre esse "dom".
O motivo é hiper simples de se compreender; era interessante e fui sendo levada e atraida, cada vez mais, por prever atitudes, palavras, gestos, sentimentos e decisões do "outro".
Nada passa turvamente pelos meus seis sentidos.
Tudo chega muito de mansinho, tranquilo, cristalino e irretocável.
Felizmente ou infelizmente nada escapa da minha alma.
Acato.
Talvez por ter sido uma menina muito calada e quase sem amigos, meu divertimento era observar quem estava no meu "em torno", com isso fui ganhando um conhecimento, meio que empírico, mas razoavelmente profundo dos seres humanos. Eram olhares, gestos e atitudes, palavras e o próprio calar das pessoas em minha volta que me fizeram enxergar além do que está sendo dito e feito.
Experimento.
Às vezes chega a ser uma coisa um tanto quanto incômoda e inquietante, pois nem sempre posso me expressar genuinamente, para evitar de passar por intrometida, presunçosa, metida e até mesmo A CHATA, e é nesse momento que o silêncio se apodera de mim.
Engasgo com meus pensamentos, embatuco, emudeço de verdade e oculto as palavras só para mim.
Silencio.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Pupa
Ela é linda, forte, sensível e não teme o predador,
Dentro da sua crisálida de cor dourada, vai preparando-se para seu grande vôo,
O processo de crescimento dentro do casulo, tem sido lento e saboreado,
O primeiro bater de asas dói, pois deve ser rápido e brusco - Vida.
Aconchegada nessa casquinha, assusta-se com o barulho de outras asas,
Intimida-se e desconfia que não será capaz de voar tão alto,
E curiosa em saber quais serão as suas cores futuras, ela sofre,
Sofre a dor da incerteza, a dor do crescimento, a dor do destino - Rito de Passagem
Tudo que é doído, suado e sofrido, quando passado tem sabor encantado,
Sabor de legítimo, de autêntico, sabor de mito ultrapassado,
Ela sabe que vai voar alto e que suas asas serão multicores,
Porém, não está dispensada das manifestações do incerto - Natureza
A fada vai chegar com poções de alívio e acalento,
O mago traz a confiança embrulhada para presente,
Seu vôo fundamental e primeiro será sentido como solitário,
Mas a fada e o mago estarão voando ao lado de sua alma - Pais
O sucesso do imago é inevitável, restarão lembranças e memórias,
Do casulo, da crisálida, da dúvida e do primeiro vôo,
A borboleta, então, estará se alimentando do néctar doce e esperado,
Ela encara a fase adulta exuberante e certa das cores de suas asas - Metamorfose completa
Dentro da sua crisálida de cor dourada, vai preparando-se para seu grande vôo,
O processo de crescimento dentro do casulo, tem sido lento e saboreado,
O primeiro bater de asas dói, pois deve ser rápido e brusco - Vida.
Aconchegada nessa casquinha, assusta-se com o barulho de outras asas,
Intimida-se e desconfia que não será capaz de voar tão alto,
E curiosa em saber quais serão as suas cores futuras, ela sofre,
Sofre a dor da incerteza, a dor do crescimento, a dor do destino - Rito de Passagem
Tudo que é doído, suado e sofrido, quando passado tem sabor encantado,
Sabor de legítimo, de autêntico, sabor de mito ultrapassado,
Ela sabe que vai voar alto e que suas asas serão multicores,
Porém, não está dispensada das manifestações do incerto - Natureza
A fada vai chegar com poções de alívio e acalento,
O mago traz a confiança embrulhada para presente,
Seu vôo fundamental e primeiro será sentido como solitário,
Mas a fada e o mago estarão voando ao lado de sua alma - Pais
O sucesso do imago é inevitável, restarão lembranças e memórias,
Do casulo, da crisálida, da dúvida e do primeiro vôo,
A borboleta, então, estará se alimentando do néctar doce e esperado,
Ela encara a fase adulta exuberante e certa das cores de suas asas - Metamorfose completa
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Simplesmente
Queria muito esse querer, parecia orar por isso todos os dias,
Queria juntar-se e não mais sentir-se isolada, aguardava resoluções,
Porém, nada estava na sua alçada, tudo dependia da conjuntura,
Da infra-estrutura, da ocasião, do mérito e da pirâdime estrutural,
A qual já havia sido requintada, requentada e paralisada,
Nesse questionamento "aguardativo", ela espiava dois grupos distintos de criaturas,
O primeiro composto por pessoas desvalidas de sentimentos e fortemente guarnecidas de contruções abstratas,
Com capacidade cruel de descarregar todas suas frustações no seu outro
Fundamentados em suas mitomanias crônicas, essas criaturas vão elaborando estórias,
Se construindo e se compensando nelas e através delas,
Tentando tapar suas camadas de ozônio mentais com fantasias e narrativas fictícias,
Abalando e pervertindo o equilíbrio dela,
O segundo grupo formado por sujeitos capazes de acalentar e olhar,
Desnudados de maldade e forjados na flexibilidade do ouvir,
Nus e de pés descalços massageiam a areia molhada e macia da praia morna,
Com comportamentos maleáveis e adocicados, são esses seres que despertam,
Nela um repertório de transições, mutações e mudanças enriqueceroras,
Ela quase sempre habita seu lado de fora do mundo, numa forma enlouquecida de convivência,
A demência, vez ou outra, apodera-se dela; porém, quanto mais lucidez e sensibilidade ela tem,
Mais sofrido é viver regras impostas pela sociedade que, normalmente, a sufocam e estrangulam,
Ela fica grande e sábia quando encontra em si mesma os ítens que quer alterar,
Ela não quer mudar nem trapacear, ela quer transgredir, superar e ser superada,
Ela deseja ser o meio, a equação, o "entre", o ponto médio, nem boa nem má, apenas ela,
Quer o pacto das duas partes, o ressoar e o entoar do resultado da reinvenção do bom,
Quer o vínculo, o elo, a ligação, a bússula, a semente na terra, o fruto no pé,
Ela quer vida, vida vivida, vida sabida, vida inventada, vida brincada, vida verdade,
Quer tradição, eterno, perdão, paixão, cabeça na lua e muito pé no chão,
Ela não quer fórmulas, não quer receitas, não quer paradigmas, não quer parâmetros, nem dogmas,
Quer somente o bom e o equilíbrio entre forças e grupos ,
Quer a senóide dos sentimentos, a negociação com a dor e o acordo com a alegria,
Outra vez, ela quer ser a absoluta e real justaposição, a relação vertical e a congruência.
Seu desejo profundo e exclusivo é ver e sentir o regular, o coerente, o ordinário e o harmônico,
Ela quer simplesmente o simples.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Ela

Fera enjaulada, fera aprisionada, fera encarcerada, fera enclausurada, fera acuada
É assim que se sente quando é contida, ela é gado em pastagem, ela é solta.
É de um só enquanto pode sustentar-se em suas grandes asas pelos céus da cidade,
É de muitos quando tem a sensação de voar em bando reprimida,
É de todos no instante que prevê seu calabouço, ela águia.
Ela é dispersa, volumosa e volátil, ela é ar, gás, energia, vibração,
Tudo dela é em curta metragem, rápido, ligeiro, ela é trovão e chuva de verão.
Dispensa as overdoses, agradece os discusrsos, não gosta de palestras,
Nada pode demorar mais que o tempo de um raio rasgando o espaço, ela é velocidade.
É angustia da sentença, é de amores passageiros, é de amantes grosseiros,
Selvagem por natureza, não se importa com seu cio, foi talhada na luxúria,
De prazer em prazer vai moldando sua carne fresca e fundindo-se em outros,
É pura, singela, natural e simples; porém, agressiva, áspera e adversa.
Desconstruiu seus castelos de areia e montou sua choupana de amores,
Ventou em pradarias , cantou em guetos, berrou aos quarto cantos do mundo,
Choveu em caatingas, respingou-se em areais e queimos-se nos cerrados,
Desativou bombas amorosas, torpedeou pares e alavancou catapultas de vida.
Prefere vinho porque tem a cor de sangue, bebe champanhe pelas bolinhas,
Pise firme e sem dó, pisa no chão, pisa na grama e esmaga quem passar na sua frente,
Dura e acre, formou-se da vinagre azeda e levedou-se em diferentes massas,
Doce e meiga, criou-se para a festa, para crença, para missa e para o circo.
Ela encanta enquanto canta, ela dorme enquanto chora, ela falece enquanto perece,
Ela é universal, própria, não tem donos, coleiras ou amarras, ela é de todos,
Ela é só e ela é plena, ela é esperanto, ela é mundo,
Ela abrange tudo, ela vem de mim e de você. Ela somos nós.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Luz

Fingiu que acreditara que a romaria era para ela e sorriu sorrisos de malevolência e piedade, posou de vadia arrependida e se fez santa.
Fez de conta que se arrumara para a ocasião, fechou seus olhos grandes e vivos para toda desfaçatez, simulou, desavergonhadamente, cada gesto e palavra.
Tudo pensado, calculado, preparado para a frieza do calor do descaramento da mentira, hipocrisia e sarcasmo. Participou da brincadeira de circo e de farsa.
Apresentou-se no palco, não como palhaça, mas como a dama da comédia.
Ela nem se importa, segue aprumada, altiva, empinada e delirante,
Aprimorando cada vez mais seu jeito malandra de viver,
Sem retoques ou toques que possam lhe impedir de ser única,
Ergue-se majestosa, apimentada e recheada de trejeitos,
No meio de toda gente, ela é quem quer ser,
Cobiça o tempo que perdeu, goza e deleita-se em si mesma,
Corrige o baton vermelho que escorreu da boca. Compõe-se,
Ajeita o sutiã pousado nos ombros, retira o bandaid,
E endireita a alça do escarpin preto no calcanhar esquerdo,
Vira-se como pode, vira-se de ponta cabeça, vira-se do avesso,
Arranca o melhor de toda situação e a farpa do dedo com os dentes,
Mulher brava e despudorada gargalha ao lembrar dos seus pormenores,
Compadece-se dos podres de espírito, geme, murmura e balbucia palavras sem nexo algum, para encobrir o que, realmente, sente,
Acha graça dos empinados, pernósticos e afetados e dos sem limites de modéstia,
Caçoa e zomba da pompa e da circunstância, supostamente, montada para ela,
Odeia comida japonesa, acha sem sabor; porém, aprecia o colorido,
Prefere o vatapá, caruru e o acarajé quente, muito quente,
Bebe pouco e assume, sobriamente, seus atos, atitudes e conduta,
Adepta da verdade, coagida, aprendeu a rodopiar nas rodas e na marra,
Transita muito solta e leve entre as órbitas sociais e urbanas. Impõe-se,
Desconfia de falas mansas, é partidária da linguagem forte e indomável,
Caprichosa, capciosa e ardilosamente vai cintilando e sobressaindo-se,
Nos giros, rotações e movimentos da vida, ela prossegue límpida e cristalina
Fulgura e circula clara e na claridade com clareza - é, claramente, luz.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Adeus!
Pensando na vida, linda, que terá dentro de poucos dias, ela sonhou,
Previu, filmou e decifrou cada pedacinho de tudo que viverá,
Cada brisa fresca que irá sentir no rosto ao dirigir novamente,
Livre e delicadamente vai "passar as marchas" do seu carro,
Racionalmente, certificou-se de sua carteira de motorista - válida,
Verificou seus cartões de crédito, talões de cheque e antiga "poupança",
Tudo acertado, combinado, preparado e aguardando por suas assinaturas,
Ela irá ao mercado, à feira, ao banco, ao salão e todos a cumprimentarão,
O bom humor e a alegria da cidade vão abraçá-la,
Todos falarão sua língua - ela não será mais uma estranha,
Dentro do seu ninho, junto da sua liga e perto dos seus iguais,
Ouvirá sotaques, regionalismos, comerá arroz com feijão,
Reconhecerá rostos, cheiros, lugares e cantos a cada passo que der,
Renascerá, mais uma vez, para as possibilidades futuras,
Permanecerá saudosa, agora dos novos amigos que fizera na arena,
Viverá instantes de emoção que ficarão tatuados em seu coração,
A hostil e agressiva vila decidiu dar-lhe os ares de despedida,
Com o céu azul, a lua de prata e dias de sol e calor,
O vilarejo cobriu-se de cores suaves e pessoas afáveis,
Nunca é tarde para se amar uma aldeia a distância, though,
Ela subiu no palanque, discursou, agradeceu e acenou,
No coreto da praça, viu pessoas choramingando a saudade,
Observou outras tantas indiferentes e inértes à sua saída,
Saída brusca, saída feliz, saída triunfante, saída doída,
Doída por deixar sua única boneca sozinha sobre a cama que dormira,
Não pode dizer que foi infeliz ou desgraçada,
Pelo contrário, existiram momentos lindos e dias de amor,
Chamegos, cafunés e carinhos; porém, recheados com saudades,
Saudade que doeu doída, arrastada e em branco e preto,
Ela parte escoltada pela Esquadra da Crença na Amizade,
Ela parte acompanahada pela Esquadrilha da Gratidão,
Ela parte seguida pela Cavalaria do Reconhecimento,
Ela parte conduzida pelo Esquadrão do Amor e da Plenitude.
Ela sai de cena!
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