
Não me entrego fácil assim, vou inventando diversão,
Tirando do bizarro um sarro, condicionando meu coração,
Lembrando para não ser esquecida,
Andando, às vezes, sem rumo; porém sempre seguida,
Espiando aqui e alí, inspirando o ar denso,
Expirando, sem pressa, o fluido tenso,
Mastigando o presente vivo,
Ruminando o passado já lido,
Não me entrego fácil assim, reinventando a graça,
Desistir jamais, concentrar, que com certeza, passa,
Transpassando e enganando o mundo,
Procurando encontar a luz do meu fundo,
Razoável, entendível; porém, tecnicamente,
Misterioso, enigmático e independente,
E com uma grande dose de realidade,
Revisando e resgatando a objetividade,
Vou chegar bem de mansinho,
Na surdina, com o céu muito estrelado,
Assustar, mas com carinho,
E abraçar muito apertado!
Esta página é integralmente dedicada à mágica da amizade.
Uma verdadeira, leal e sincera amizade que começou com uma tímida e simples tortinha de bluberries sem açúcar - minha nova amiga não deve exagerar nessa substância extraída da cana de açúcar. Respeitei.Provavelmente ela nunca venha a ler a página feita por ela e para ela. Não me sinto ofendida, desdenhadada nem desprezada. Entendo.
Entretanto não consigo calar, pois quando meu coração e cabeça se desassossegam, as palavras e sentimentos se alvoroçam dentro de mim, é escrevendo que encontro minha quietude interior e inteira.
Nossos universos são absolutamentes distintos, somos quase água e vinho. E é isso que faz a beleza e leveza da nossa amizade e minha admiração por ela é enorme. Nos aceitamos e nos gostamos do jeitinho que somos uma para a outra. Não disfarçamos. Aprecio
Sorriso aberto, pensamentos livres, criatividade à flor da pele, sensibilidade saindo pelos poros, atitudes doces, conduta correta, muitos filmes e muita leitura- Essa é ela, minha amiga.
Em cada encontro o prazer da troca, o prazer de vê-la, de tê-la por perto, o conforto nas horas doídas e as broncas quando eu saio do salto. Tudo é sempre muito bem-vindo. Tudo muito querido, quero um bem enorme à essa criaturinha delicada e amável.
Magia construtiva e agregadora de uma amizade embebida em conversas infindáveis, cursinho básico feito juntas, fofoquinhas inocentes, novidades vindas do Rio e de São Paulo, algumas compras, cumplicidade de pequenos segredos, boas discussões, divergências de opiniões e filosofias. Porém, tudo nos mantém unidas e reunidas nessa nossa chuva de verão.
Sabemos no fundo de nossos corações que nada é para sempre, nada é eterno, amanhã não será como está sendo hoje, pois essa chuva tem dia e hora para estiar.
Não projetamos nossos futuros nos incluindo uma na vida da outra; porém, de vez enquando combinamos algumas poucas visitas que nos faremos.
Não nos iludimos, não nos enganamos, não fazemos juramentos de amizade eterna.
Apenas fecharemos nossos guarda-chuvas. Somos humanas, hoje somos amigas e pronto.
Quando o sol voltar a reinar imperioso e impiedoso no céu da pátria amada, cada uma vai seguir o que já havia planejado para seu curso de vida, rever os antigos amigos, (re)examinar projetos passados e fazer novos planos para os próximos anos.
Cada uma vai levar em si um "tiquinho" da outra e jamais seremos como éramos antes de nos conhecermos. Trocamos, dividimos e aprendemos.
Eu, de minha parte, leverei comigo memórias, fotos, lembranças, saudades, ternura, simplicidade e a meiguice da nossa amizade.
Partirei carregando no container da vida, um pedaço da minha história que contarei a meus netos.
E nesse capítulo da chuva de verão constará com muito carinho, zelo e chamego você, minha amiga.
Direi-lhes quão bom foi conviver com você e, em detalhes, tentarei desenhar sua figura singela; porém, valente e guerreira, aos olhinhos deles.
Mas se depois dos nossos guarda-chuvas fechados ainda for possível nos vermos, levarei as crianças para aprenderem a tomar chá na sua sala de estar.
Levo a tortinha, desta vez você escolhe a fruta, que pode ser; goiaba, açaí, abacaxi, umbu, banana, sapoti, cajá, caju, graviola ou jambo, qualquer fruta, desde que, radicalmente, tropical!
Meu rio está cinza chumbo, meu céu azul, minhas nuvens brancas,
Meu café preto, meu cabelo castanho, minhas flores liláses,
Meu sangue vermelho, minha pele amarela, minhas uvas roxas,
A cidade coberta e recoberta de verde e amarelo,
Minhas unhas francezinhas,
Cores se misturam, estações mudam, lugares se substituem, pessoas se transferem, se deslocam,
As caixas não são sufucientes e minhas coisas se reproduzem,
Entre idas e vindas do tal "refuse closet", vou me desfazendo de tudo o quanto posso,
Jogo fora o novo, jogo fora o velho, jogo o que não consigo levar comigo.
Levo pouco, não preciso de muito,
As buzinas ecoam, as sirenes berram, o povo corre apressado.
O equilíbrio, vez ou outra, falta, forças iguais e contrárias, tudo na proporção devida,
Uma indefinição grave e heróica, a certeza magnífica com dimensões reduzidas,
O telefone toca, mais uma cilada, mais uma charada não decifrada,
A porta se abre, o vinho não chega,
As taças, já empacotadas, tranquilas aguardam por serem usadas,
A alforria se retarda, os negros permanecem com seus gritos entalados,
As gargantas sufocadas, abafadas e reprimidas,
Dependem do fio da navalha afiada,
Para, enfim, gritarem: "LIBERDADE"
A princesa tarda em assinar tal carta,
Não há pressa, o quartel encontra-se em prontidão,
Será com desembaraço e agilidade que os soldados pegarão suas armas,
Não são armas de fogo nem de matar,
São as armas da brandura e da bravura,
Nada religioso, tudo misterioso,
A fé é acionada com constância e veêmencia,
Fechando a composição física, energética e espiritual,
Nenhuma mossa, nenhum trincamento, nada fragmentado,
A linha cósmica prossegue intacta,
Modificando corpos, matérias, canalizando ações e revitalizações,
Mantendo o bom e estimulando o excelente,
As cores vão se transformando,
Os barulhos externos cessando,
E sobram esperanças, probabilidades, expectativas.
Vivo, vives, vive, vivemos, viveis e vivem

Hidrate-se. Porque não há como evitar. Lágrimas sempre vão rolar.
Vamos nos emocionar, vamos nos encantar, nos decepcionar, vamos passar pela dor e pelo contentamento, vamos ganhar e vamos perder.
Vamos calar, engasgados com aquele nó apertado na garganta e uma enorme vontade de desabar num longo choro doído, gostoso, copioso e abundante.
É o choro libertador.
Choraremos na chegada e na partida, no nascimento e na morte. No início e no final. Choraremos.
Mantenha-se calmo. Chorar faz bem, dissipa as nuvens dos nossos dias recobertos pela melancolia das aflições e libera nossos sentimentos mais intensos e tocantes.
Chorar é nobre. Chorar é para meninos e meninas.
Chorar é mostrar coragem de se desnudar psicológica e emocionalmente, seja pelo amor ou pelo raiva, seja pela vitória ou pelo fracasso.
Chorar não dói. Choramos porque doeu. Da mesma forma que chorar não traz felicidade, choramos por estarmos em estado de graça, felizes, radiantes e iluminados.
Vamos chorar nossos companheiros, filhos, pais e amigos. Na maioria da vezes serão lágrimas de felicidade e compartilhamento de prazeres, sucesso e alegrias. Entretanto, existirão situações que nos farão chorar o choro do pesar, a lágrima do sofrimento e da dor.
Choraremos.
Choraremos sozinhos, juntos, perante outros, mudos ou aos gritos. Choraremos muito ou pouco. Choraremos entre gargalhadas sonoras ou murmurando palavras tímidas que só nós compreendemos.
Melhor começar a aprender a não prender o choro, melhor entender que a lágrima da alegria não carrega em si a ruga do amanhã, melhor chorar com alguém do que por alguém.
Meu copo d'água, por favor!

Passada, perplexa, perpendicular e particularmente,
Incerta, indecisa, incapaz, indefesa; porém, intensa,
Caminhos cortados, casais cansados,
Desunidos, desligados e dissolvidos,
Sonhos sonhados e sonhos sonegados,
Realidade reta, roída e rude,
Vida viva!
Virando a esquina vê-se o eficaz,
O prazer de ser e estar ao lado de seu âmago,
Cada vez mais acirrado, penetrante e ativo,
Reaprender não é para os covardes,
Renascer é para os de tenacidade,
Contumaz e frenética, segue em buscas,
Decidida, resolvida e pronta para o sucesso,
Que vem vindo ameno, gracioso e homeopático,
Borboletas, flores, aromas, amoras e amores,
Tudo vem doce, terno, meigo e levemente inebriado,
Com o mel da vida nova, desabrochada e desconhecida,
Mas tudo vem, no seu tempo e espaço,
Desatar os nós, extinguir o fogo e transformar em pó,
O não-acontecido, o abortado, o não-nascido,
A hora é de sim, muitos e muitos "sins",
Sim para o novo, inesperado, imprevisto e cativante,
Sim para o arrebatador e para o mensageiro da Primavera.

O bem-estar vai aprochegando-se,
Manso, vagaroso, sereno; porém tardio,
A missão é aguardar sem pressa,
Desgustar cada momento da espera,
Com meu binóculo invisível contemplo a chegada,
Dias contados na ampulheta de areia colorida,
Uma espera colossal dentro de um viver abissal,
Felicidades e alegrias do existir em dois,
Saudades do viver em três,
Embebida pelos trejeitos dele,
Meu bem querer vai me mimando,
Me ninando nas noites de insônia,
Me amando nos dias de paixão,
Jogados e cansados relembramos,
O passado e antevemos o porvir,
E ela sempre conosco,
Figura marcante e sempre importante,
Presentes, lembranças, cacarecos,
Tudo vai se acomodando na grande arca,
Mas a demora faz a vida ficar mais viscosa, compassada e pegajosa,
Feito o fio que tece renda,
Minha roca de fiar cada vez mais afiada,
Furo dedo, sai o sangue,
Não dói, só incomoda, debilita
A decadência da espera, às vezes, me faz definhar,
O dia de debandar está por vir,
Dia de luz e cor,
Dia de sombra e dor,
Divida, separa, junta ou reunida,
Tudo é ambíguo, desordenado e imperfeito,
A roda vagueia, o pião gira e a confusão se instaura,
Na mente, na carne e padecemos juntos,
Desequilibrados, desnorteados e desatinados.
Cansei de ter como provável o impossível,
Esfalfei-me por cravar as unhas, que não tenho, nas oportunidades,
Reparo que os acontecimentos são lentos demais para minhas retinas,
O realizar-se afigura-se inverossímil,
As ocasiões retardam-se,
O célebre e notável avizinham-se,
Atada e estagnada perco minha mobilidade,
Partir para o combate e confronto não me trariam conforto,
Aconchego-me no ninho do covil,
Mostro-me submissa, mas usando a simulada máscara,
Intrépida, misturo meu líquido volátil ao da cidade,
Consiredações não são mais deferências necessárias,
O existir toma forma de crueldade e insensibilidade,
O ridículo é adequado, justo e conveniente,
O poder é podre, deteriorado e está em decomposiçào,
O adversário é o amigo mais próximo,
Verso, verto, converto credos, crenças e convicções,
Cato meus cacos e acato o caos,
Estilhaços espalhados e destroçados,
Sina, sinal e sinos soam singelos,
Um cheiro de céu estrelado invade minhas narinas,
Perfume de lembranças exala do difusor,
A lama da língua empurra sons que não ecoam decorosamente,
Os dentes se expõem; porém, ocultados pelos lábios,
O martelo martiriza a já maníaca madeira,
Mostro amostras de cansaço,
Ministro a sinistra cadeira,
Feita e forjada de agonias fingidas.