Descaracterizou-se rapidamente para não ser reconhecida,
Lavou a alma e o espírito com a água benta - era santa,
Os pés alternavam-se pisando no chão macio do tapete,
Revitalizada e desmascarada, apareceu e não sorriu,
O jogo já tinha começado há muitos meses atrás
Ela já estava no segundo tempo e bastante aquecida,
E ele, descaradamente, usava o uniforme o time adversário,
Afogada em sonhos de vitória, ela percebeu-se vazia - era puta,
Enfeitou-se com pérolas, argolas, plumas e penas coloridas,
Porém, estava em preto e branco por dentro - fingia muito,
Sem medo ou pudor, sorria sempre e chorava pouco,
Pintava os olhos e passava baton - era atriz,
Enfiou-se no quarto e representou a cena,
Sua performace sempre fora muito convincente,
A dele também, com mentiras e fingimentos,
Eles pagavam um preço alto para manter a ordem,
Bebiam a bebida doce, surtavam em momentos mútuos,
Dançavam a dança do nada e viviam a vida morna juntos ,
Ela vasculhou os cantos e omitiu-se,
Ele não mentiu, mas não se envolveu de vez.
Mereciam-se, escondiam-se, recolhiam-se e encolhiam-se,
Murchos, secos, gastos, foscos e desgraçados,
Seguiam andando pra trás, de marcha ré, de costas e às cegas,
Os anjos cantaram e os deuses abençoaram aquela desunião.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
céu
Eu quis experimentá-lo, manipulá-lo delicadamente,
Não poupei mãos, boca,lingua, coxas, peitos e pernas,
Fui agregando sensações e sutilezas àquele instante,
Ele foi aceitando meus toques singulares e penetrantes,
Sem qualquer restrição ou embaraço sujo,
Apostamos e ansiamos sem precariedades por tudo aquilo,
Momentos de gratificações, silêncios e abraços,
De beijos longos e quentes, que me fizeram revisitar o passado,
Trocamos palavras, roupas, gestos, carinhos e segredos,
Pusemos nossos corpos entregues lado a lado,
Fomos guiados por nossos cheiros,fomos nos aceitando,
Devagar, sem pressa e com fogo de dois amantes,
Os movimentos eram densos e vigorosos, criamos laços,
Laços,mas não relacionamento, nada organizado,
Tudo com extravagância, interação e alinhamento; porém,
Sem bases, garantias ou seguranças,
Dividimos, massageamos, falamos, rimos e trepamos.
O céu existe!
Não poupei mãos, boca,lingua, coxas, peitos e pernas,
Fui agregando sensações e sutilezas àquele instante,
Ele foi aceitando meus toques singulares e penetrantes,
Sem qualquer restrição ou embaraço sujo,
Apostamos e ansiamos sem precariedades por tudo aquilo,
Momentos de gratificações, silêncios e abraços,
De beijos longos e quentes, que me fizeram revisitar o passado,
Trocamos palavras, roupas, gestos, carinhos e segredos,
Pusemos nossos corpos entregues lado a lado,
Fomos guiados por nossos cheiros,fomos nos aceitando,
Devagar, sem pressa e com fogo de dois amantes,
Os movimentos eram densos e vigorosos, criamos laços,
Laços,mas não relacionamento, nada organizado,
Tudo com extravagância, interação e alinhamento; porém,
Sem bases, garantias ou seguranças,
Dividimos, massageamos, falamos, rimos e trepamos.
O céu existe!
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Ela III
Não era forte, não era rico nem pobre,
Não fazia o tipo dela, não lia filosofia,
Não tinha porte, não divagava nem sentava no divã,
Mas reconheceu-a como a fêmea que sempre fora.
Fêmea que tivera que esconder-se pra (sobre)viver
E ela desfez-se em mulher na frente dele,
E ela derreteu-se, ele lambuzou-se dela,
Ele trouxe na mala única, o presente.
Nem passado nem futuro, só presente,
O presente do delírio e do prazer,
Do prazer de sentir-se na carne,
Mulher no ato e não de fato.
O tom pausado e sussurrado da voz dele,
Quase não a deixava ouví-lo, ela adivinhava,
Os pensamentos e querências daquele homem,
Que a fez borbulhar num espumante ritmado.
Ela não podia falar dele, mas sabia seu nome,
Ele podia falar, mas desconhecia o nome dela,
Ele é o segredo dela do mundo,
E ela é ela pra ele.
Não fazia o tipo dela, não lia filosofia,
Não tinha porte, não divagava nem sentava no divã,
Mas reconheceu-a como a fêmea que sempre fora.
Fêmea que tivera que esconder-se pra (sobre)viver
E ela desfez-se em mulher na frente dele,
E ela derreteu-se, ele lambuzou-se dela,
Ele trouxe na mala única, o presente.
Nem passado nem futuro, só presente,
O presente do delírio e do prazer,
Do prazer de sentir-se na carne,
Mulher no ato e não de fato.
O tom pausado e sussurrado da voz dele,
Quase não a deixava ouví-lo, ela adivinhava,
Os pensamentos e querências daquele homem,
Que a fez borbulhar num espumante ritmado.
Ela não podia falar dele, mas sabia seu nome,
Ele podia falar, mas desconhecia o nome dela,
Ele é o segredo dela do mundo,
E ela é ela pra ele.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Amantes
Razões existiram para que aqueles jovens dois trocassem telefones,
foi um desses encontros que nos assolam sem piedade,
que nos levam os êxtase do sagrado por meio do profano,
então os dois amantes revelaram segredos íntimos e diabólicos um para o outro,
perderam-se no tempo, no espaço, em lençóis macios e de cheiro agradável
Desapareceram amores, sucumbiram às certezas e gritaram de prazer,
um grito surdo e emudecedor rasgou a sala de jantar e fez-se ouvido no mundo,
Permaneceram imóveis, cheirando o aroma do deleite,
embebidos do contentamento do momento, perderam-se um no outro,
E o lugar ficou pequeno e quente para tanta delícia carnal,
era delírio, era perturbação incosciente, era química de peles,
peles suadas, peles arrepiadas, peles descobrindo peles,
peles que precisavam daquelas exatas peles,
Era exultação sem hesitação com muita excitação,
A novidade do novo toque, a sabotagem ao antigo sabido,
a proeza do escondido, a manha do proibido, a façanha do desconhecido,
o escândalo da descoberta, a censura do pecado mordido, a arte da desordem,
O pensar cedeu espaço para o "não-pensar" e seus pensamentos vagaram,
A magia daquele instante ainda perdura naqueles corpos viscosos,
instaurou-se a anarquia naqueles corações imaturos,
instalou-se a o receio e a suspeita naquelas mentes tão prematuras,
Confrontaram-se com a magia da realidade da improvável relação,
O anjo torto trouxe testemunhas vorázeis do desenlace,
ainda que não fosse o desenlace final, teriam que encarar algum desfecho,
a malevolência e a ironia seriam as amigas mais próximas.
Infelizes, ainda hoje, tentam aceitar a vida fingida,
vivem de acordo com o que lhes fora imposto,
sem prazeres, sem amores, secos e amargando seus calvários,
retorcidos pelas circunstâncias, seguem lutando contra ritmo parcial.
foi um desses encontros que nos assolam sem piedade,
que nos levam os êxtase do sagrado por meio do profano,
então os dois amantes revelaram segredos íntimos e diabólicos um para o outro,
perderam-se no tempo, no espaço, em lençóis macios e de cheiro agradável
Desapareceram amores, sucumbiram às certezas e gritaram de prazer,
um grito surdo e emudecedor rasgou a sala de jantar e fez-se ouvido no mundo,
Permaneceram imóveis, cheirando o aroma do deleite,
embebidos do contentamento do momento, perderam-se um no outro,
E o lugar ficou pequeno e quente para tanta delícia carnal,
era delírio, era perturbação incosciente, era química de peles,
peles suadas, peles arrepiadas, peles descobrindo peles,
peles que precisavam daquelas exatas peles,
Era exultação sem hesitação com muita excitação,
A novidade do novo toque, a sabotagem ao antigo sabido,
a proeza do escondido, a manha do proibido, a façanha do desconhecido,
o escândalo da descoberta, a censura do pecado mordido, a arte da desordem,
O pensar cedeu espaço para o "não-pensar" e seus pensamentos vagaram,
A magia daquele instante ainda perdura naqueles corpos viscosos,
instaurou-se a anarquia naqueles corações imaturos,
instalou-se a o receio e a suspeita naquelas mentes tão prematuras,
Confrontaram-se com a magia da realidade da improvável relação,
O anjo torto trouxe testemunhas vorázeis do desenlace,
ainda que não fosse o desenlace final, teriam que encarar algum desfecho,
a malevolência e a ironia seriam as amigas mais próximas.
Infelizes, ainda hoje, tentam aceitar a vida fingida,
vivem de acordo com o que lhes fora imposto,
sem prazeres, sem amores, secos e amargando seus calvários,
retorcidos pelas circunstâncias, seguem lutando contra ritmo parcial.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Líquida
Diferentemente de ontem, hoje ela pacificou-se,
entrou num estágio de bela e benéfica letargia ,
criou um personagem capaz de alimentar-se de desilusões,
passou a convencer-se da necessidade dos fatos ricos.
Iniciou uma fase de reticências, derivas e sortes,
afastou-se de seus tormentos, ânsias e aflições,
teve a habilidade de inventar uma situação cármica,
onde vê-se livre para encarar a coincidência vivida,
Tudo é sempre perdoável, inimaginável, imponderável,
sempre impessoal, não dirigível e falível,
ela ama incondicionalmente, é feita de amor e condescendências,
por um instante afrontou os nós desatados,
Ela não cumpriu seu papel, falhou em ser a pérola,
fendeu e despediu-se de si mesma há muito tempo atrás,
não encarou com exatidão o princípio correto, despiu-se
e preferiu ser covarde saindo `a francesa,
Vacilou no momento do enfrentamento,
deixou-se na mão e perdeu-se de seus lances felizes,
mas afinal quem é ela? ela é ela? ou ela é outro ser?
ela é um ser andante, acolhedor e pouco falante,
Ela é fraca, pobre, podre e sem poder algum,
sem forças, sem rosto, sem gosto, sem valentia,
ela é nada, ela é invisível, ela é indivisível, ela é indolor,
ela é inodora, insípida e incolor,
Ela é como a água que escorre pelas mãos,
mata a sede, refresca; porém não mata a fome,
enche um copo de cristal, uma bacia de prata,
entretanto, é sem graça, não desperta o entusiasmo.
Ela é líquida e certa.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Voltou
Pensamento pensado, gestos gesticulados, atitudes tomadas,
saliva engolida, ar respirado, raptos sadios,
sabor saboreado, amargo da vida, doce algodão,
peitos, coxas, unhas e cabelos, tudo em vão,
Num raio de luz a agonia do peso,
a culpa consome, a dor é insana, a voz é serena,
o olhar penetrante distorce a alma,
agito de mente, desce ao ralo a sólida calma,
Pedaços e cacos dos fragmentos brilham ao sol,
querer, queria, mas não podia,
tudo amarrado, boca fechada, solidão vazia,
forte não mais, criança pequena, colo pedia,
A roupa lavada, amassada do tempo,
de branco encardido, preto surrado, vermelho desbotado,
as cores mudaram, o vento soprou, a roupa secou,
mudança que vinha, vida que ia, nada esperado,
A menina cresceu, a mulher esqueceu, o homem morreu,
o vaso quebrou, a chave emperrou, a lua emergira,
de tanto pensar, esqueceu de lembrar e desfaleceu,
voltou para o cosmo de onde surgira.
saliva engolida, ar respirado, raptos sadios,
sabor saboreado, amargo da vida, doce algodão,
peitos, coxas, unhas e cabelos, tudo em vão,
Num raio de luz a agonia do peso,
a culpa consome, a dor é insana, a voz é serena,
o olhar penetrante distorce a alma,
agito de mente, desce ao ralo a sólida calma,
Pedaços e cacos dos fragmentos brilham ao sol,
querer, queria, mas não podia,
tudo amarrado, boca fechada, solidão vazia,
forte não mais, criança pequena, colo pedia,
A roupa lavada, amassada do tempo,
de branco encardido, preto surrado, vermelho desbotado,
as cores mudaram, o vento soprou, a roupa secou,
mudança que vinha, vida que ia, nada esperado,
A menina cresceu, a mulher esqueceu, o homem morreu,
o vaso quebrou, a chave emperrou, a lua emergira,
de tanto pensar, esqueceu de lembrar e desfaleceu,
voltou para o cosmo de onde surgira.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Velha
Alívio, tentativa, procura e entendimento.
Ela teima em não sair de cena.
Visões de prazer enchem seus olhos.
Ela quer, ela precisa, ela deseja.
Amarga o sabor da certeza.
Saboreia cada pensamento.
Devora seus instintos.
Alimenta-se de cada flash sonhado.
Mas ela envelhece...
Dança, canta, fala compulsivamente.
Exorciza-se, mas quer o diabo.
Tolerante, compreende e carece.
Tomar parte, infiltrar-se, espionar.
E ela envelhece...
Não racionaliza mais, quer, pede.
Implora, roga e, em paz, e faz seus curativos.
Limpa as feridas sem a menor dor.
Sem o menor pudor, com um certo prazer.
Porém ela envelhece...
Voa ao futuro e rasga suas tripas,
Vai ao passado e purga o pus da lembrança.
Lê o presente numa carta sobre a mesa.
Os olhos minam a água doce.
Exige, requer, supõe, geme e grita.
Goza do conceito, do esboço e da opinião.
Masturba-se com audácia e lentidão.
Quem é ela?
Uma velha senhora sentada `a beira do cais.
Uma velha puta feita de entranhas repugnantes.
Uma velha criatura sem função, sem título.
Uma pessoa que é o que nunca quis ser.
Ela...
Assinar:
Postagens (Atom)

