terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Tharcilla
Tharcilla estava completamente absorta, perdida entre sua agulhas longas e pontiagudas de tricô, envolta em suas lãs, linhas e fios de almíscar e absinto.
Era praticamente sua última laçada, enfiou com destreza a agulha na lã lilás, cor de flores de alfazema e no instante de puxá-la, foi abduzida do seu mundo de paz e cores para o mundo real pelo toque de seu celular.
Assustou-se por um momento; porém o som suave e sereno, como tudo em sua vida, fez com que voltasse ao seu ritmo terno e doce em segundos.
Na telinha do telefone vinha um aviso de mensagem nova e fresquinha.
Ela sorriu.
Ele nunca trazia mensagens de dor.
Então, prontamente, Tharcilla se prepara beber cada palavra escrita como se um néctar fora. As palavrinhas miúdas saltitavam e seus olhos brilhantes e atentos a tudo e a todos iniciaram a leitura.
Ela leu e releu por algumas vezes, nada novo...
O comunicado já havia sido feito por gestos e atitudes, ela já havia compreendido a mensagem, muito, muito antes de ser escrita.
...nenhuma reação, nenhum sentimento, nenhum assombro.
Era só a mesmice já sabida, revelada e agora assumida.
Ela achou sublime, digno e bonito.
Seu mundo continua com cor, suas agulhas ainda ferem seus dedos, suas lãs, linhas e fios ainda se enroscam e se embolam.
Tharcilla olhou para o nada , respirou fundo, suspirou e não se abalou.
Enfiou-se novamente em confeccionar seu agasalho de vida.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Ela -II
Inegavelmente, ela tem um jeito agitado de ser,
Uma mania de ser rápida, ágil e ligeira nos seus pensamentos, palavras e afazeres,
Porém, nada escapa aos seus seis sentidos, capta cada ocasião como se fosse a última,
É espevitada, afetada no falar e seus olhos captam tudo instantaneamente,
Seus gestos são flashes, seu nariz cheira os cheiros mais remotos e estranhos,
Não anda, corre, tropeça muito, escorrega e, quase sempre, cai,
Não mastiga, engole empurrando a comida com líquidos para descer mais rápido,
Seus pensamentos se embolam, se esbarram, se embaralham e se misturam,
Não dorme, cochila, dormita, oscila entre o sonho e a realidade,
Esperar é um castigo, a expectativa lhe consome, quer tudo para ontem,
A demora causa-lhe asco, o marasmo impõe-lhe a angústia e a apatia lhe repulsa,
Ela é assim, uma mulher de movimentos bruscos e de velocidade,
Ócio é palavra inexistente em seu dicionário, sempre inventa e reinventa o que fazer,
O coração dela bate sempre rápido, não gosta de perder tempo com suas correntes sanguíneas,
O corpo tem que lhe acompanhar, senão fica para trás e ela segue,
Segue seguindo seu ritmo frenético de ser, puxando a vida pela mão,
Impinge ao seu corpo frágil tarefas árduas e cansativas, mas as mãos pequenas são suas aliadas,
Ela vive como se hoje fosse seu último dia de vida, nada pode ficar para amanhã,
Mas esta pequena ligeira é capaz de se dedicar, se doar, se envolver e de amar,
Com a calma do sossego de espírito e da quietação dos mortos,
Ela é ela, e ninguém mais,
Rápida, prática e cheia de agilidade para com vida cotidiana,
E muito lenta, compassada, pausada e vagarosa para o amor...
Uma mania de ser rápida, ágil e ligeira nos seus pensamentos, palavras e afazeres,
Porém, nada escapa aos seus seis sentidos, capta cada ocasião como se fosse a última,
É espevitada, afetada no falar e seus olhos captam tudo instantaneamente,
Seus gestos são flashes, seu nariz cheira os cheiros mais remotos e estranhos,
Não anda, corre, tropeça muito, escorrega e, quase sempre, cai,
Não mastiga, engole empurrando a comida com líquidos para descer mais rápido,
Seus pensamentos se embolam, se esbarram, se embaralham e se misturam,
Não dorme, cochila, dormita, oscila entre o sonho e a realidade,
Esperar é um castigo, a expectativa lhe consome, quer tudo para ontem,
A demora causa-lhe asco, o marasmo impõe-lhe a angústia e a apatia lhe repulsa,
Ela é assim, uma mulher de movimentos bruscos e de velocidade,
Ócio é palavra inexistente em seu dicionário, sempre inventa e reinventa o que fazer,
O coração dela bate sempre rápido, não gosta de perder tempo com suas correntes sanguíneas,
O corpo tem que lhe acompanhar, senão fica para trás e ela segue,
Segue seguindo seu ritmo frenético de ser, puxando a vida pela mão,
Impinge ao seu corpo frágil tarefas árduas e cansativas, mas as mãos pequenas são suas aliadas,
Ela vive como se hoje fosse seu último dia de vida, nada pode ficar para amanhã,
Mas esta pequena ligeira é capaz de se dedicar, se doar, se envolver e de amar,
Com a calma do sossego de espírito e da quietação dos mortos,
Ela é ela, e ninguém mais,
Rápida, prática e cheia de agilidade para com vida cotidiana,
E muito lenta, compassada, pausada e vagarosa para o amor...
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Luzes coloridas
Sentir é diferene em cada pessoa, é uma individualização de como se põe reparo nos objetos, pessoas, sentimentos.
Reparar não é exatamente sentir, mas observar e redobrar atenção no que acontece em, com você, em e com os que compõem sua breve existência no planeta.
Por isso gostamos de cores, sabores e cheiros, completamente, diferente dos outros.
Cada um sente a sua dor de uma maneira própria e pessoal, dor não dá para explicar em palavras como a sentimos, sentimos e punto!
Mesmas experiências são vividas igualmente por várias pessoas, entretanto, as reações diante delas são igualmente diferenciadas.
Somos seres únicos e com carregamentos, marcas e registros baseados em sensações oblíquas e perpendiculares, que quase nunca se esbarram com visões alheias.
Apenas, vivemos.
O que é grande para mim, com certeza, pode ser pequeno para você e assim, vice-versa.
O compartilhamento de vidas também colabora para que nos acostumemos com novas emoções, riscos, e percepções do realizar pessoal e induvidual.
Dores, intuições, pensamentos, magias, sobressaltos e reações mudam a cada dia, dependendo da nossa capacidade de ver e enxergar o mundo. E o mundo vivenciado por nós é muito rico e bonito para detahes pequenos e passageiros.
Minha vida vai correr seu fluxo a partir de mim e não de você.
Parei, reparei , prestei muita atenção e olhei cuidadosamente em minha volta e só vi gente feliz e contente por estar ali.
Cores variadadas de luzes coloridas explodidas no céu , beijos e abraços compartilhados e repartidos com muito prazer, desprendimento, sinceridade e alegrias espontâneas.
Vivi o experimento do desprendimento, do desapego e da falta do meu pedaço. E, incrivelmente, estava feliz!
Percebi, ainda assustada que não havia lugar para dores, lágrimas, ressentimentos, arrependimentos, sofrimentos ou quaisquer outros sentimentos negativos ou arraigados `as minhas origens.
Sorri e gargalhei de prazer por estar ali. Estranhei-me.
A saudade não apertou, o peito não doeu, os osssos não tremeram involuntariamnete como de costume.
O importante naquele momento foi me dar conta de que cada um estava bem, desfrutando seu momento e espaço escolhidos, determinados por seu gosto, vontade e destino.
Invadiu-me a tranquilidade, suavidade e um forte estado sereno conquistou minha alma.
Jamais sentira um destravar de grilhões antes em minha vida, era como se eu estivesse me redescobrindo. Redefini-me.
Não doeu, não magoou, não melindrou, não afligiu, não causou dano algum ao meu mais profundo e íntimo sentimento. Entendi o reviver, sem amarras, sem correntes, sem conveções, sem contratos ou compromentimentos. Fui capaz de distinguir a paz e o contentamento de cada ser, independente de mim.
Lição farta de novidades e boas notícias para meu coração.
Já era hora de eu crescer um pouquinho, e não doeu!
Reparar não é exatamente sentir, mas observar e redobrar atenção no que acontece em, com você, em e com os que compõem sua breve existência no planeta.
Por isso gostamos de cores, sabores e cheiros, completamente, diferente dos outros.
Cada um sente a sua dor de uma maneira própria e pessoal, dor não dá para explicar em palavras como a sentimos, sentimos e punto!
Mesmas experiências são vividas igualmente por várias pessoas, entretanto, as reações diante delas são igualmente diferenciadas.
Somos seres únicos e com carregamentos, marcas e registros baseados em sensações oblíquas e perpendiculares, que quase nunca se esbarram com visões alheias.
Apenas, vivemos.
O que é grande para mim, com certeza, pode ser pequeno para você e assim, vice-versa.
O compartilhamento de vidas também colabora para que nos acostumemos com novas emoções, riscos, e percepções do realizar pessoal e induvidual.
Dores, intuições, pensamentos, magias, sobressaltos e reações mudam a cada dia, dependendo da nossa capacidade de ver e enxergar o mundo. E o mundo vivenciado por nós é muito rico e bonito para detahes pequenos e passageiros.
Minha vida vai correr seu fluxo a partir de mim e não de você.
Parei, reparei , prestei muita atenção e olhei cuidadosamente em minha volta e só vi gente feliz e contente por estar ali.
Cores variadadas de luzes coloridas explodidas no céu , beijos e abraços compartilhados e repartidos com muito prazer, desprendimento, sinceridade e alegrias espontâneas.
Vivi o experimento do desprendimento, do desapego e da falta do meu pedaço. E, incrivelmente, estava feliz!
Percebi, ainda assustada que não havia lugar para dores, lágrimas, ressentimentos, arrependimentos, sofrimentos ou quaisquer outros sentimentos negativos ou arraigados `as minhas origens.
Sorri e gargalhei de prazer por estar ali. Estranhei-me.
A saudade não apertou, o peito não doeu, os osssos não tremeram involuntariamnete como de costume.
O importante naquele momento foi me dar conta de que cada um estava bem, desfrutando seu momento e espaço escolhidos, determinados por seu gosto, vontade e destino.
Invadiu-me a tranquilidade, suavidade e um forte estado sereno conquistou minha alma.
Jamais sentira um destravar de grilhões antes em minha vida, era como se eu estivesse me redescobrindo. Redefini-me.
Não doeu, não magoou, não melindrou, não afligiu, não causou dano algum ao meu mais profundo e íntimo sentimento. Entendi o reviver, sem amarras, sem correntes, sem conveções, sem contratos ou compromentimentos. Fui capaz de distinguir a paz e o contentamento de cada ser, independente de mim.
Lição farta de novidades e boas notícias para meu coração.
Já era hora de eu crescer um pouquinho, e não doeu!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Não daria
Não daria para dizer não depois de tudo que foi realizado, enfrentado e alcançado por ela,
Não depois de ela desenhar em seu rosto as marcas dos guerreiros mais bravos e valentes,
Trocar a roupa brilhante de festa pelas penas coloridas e colares de sementes,
Tirar o scarpin, pisar na terra vermelha e adornar sua cabeça com um cocar de cores vivas,
E de berrar, clamar e dar o mais agudo e violento grito de guerra.
Não depois de partir para a luta e retornar com a cabeça do inimigo nas mãos.
Já pronta para as comemorações, recebimento de condecorações e medalhas
Recebi a notícia pelo mensageiro, que ela iria festejar em outro povoado,
A fraqueza me tomou de assalto, minha capacidade de pedir sua presença esmoreceu,
Com certeza, teríamos outros festejos, exaltações e instantes de glórias para estarmos juntas,
E fiquei ali acocorada, quieta, emudecida, só com meu imaginário tolo e simplório.
Eu não tive coragem de verbalizar meu pensamento elástico e alegre,
Deixei fluir seu contexto de vida com suas conexões e expressões secretas e sagradas,
Era um pedaço de vida cheio de momentos sabidos e esperados,
Ela guerreou cada batalha e, merecidamente, venceu a faustosa guerra.
Fantasiando como poderia ter sido belo celebrar amplamente todas nossas narrativas,
Permaneci pacífica e sossegada ao ver o sequestro do meu sonho,
Sonho sonhado por incontáveis noites em preces e inúmeros dias sem fim,
Porém, eu não podia edificar meus sonhos mais sonhados impondo-lhe minhas vontades infantis,
Teria que (re)construir, lentamente, todo o registro da explosão da alegria que veria em seu rosto.
Precisei aprender, compreender e apreender o saber do seu "não-estar",
Resgatei forças dentro do meu surreal mundo para entender,
Que não se vive de um fragmento de momento, vive-se uma vida por inteiro,
Plantaria meus pés no chão naquela aldeia e vibraria com a nova tribo,
Os brotos de contentamento desabrochariam em luzes violetas.
E então a Mandala rodaria e emanaria toda a luz e o bem-querer para outra tribo distante,
De longe, mas bem de perto, o ritual seria compartilhado e o cerimonial cumprido,
O rito de passagem, transição de um período para outra vida seria sentido e ouvido,
Não só pelos rufar dos tambores mas também pelo estado de uma nova consciência,
Renascida como Fénix, alcançaria a lucidez de perceber que a iniciação através do ritual,
Com transformação mais profunda de personalidade da pequena Juçara,
Se dá, independente, do Pagé, se dá associado a uma missão cumprida,
Ricamente tatuado pelas imagens que serão para sempre mantidas no consciente,
Com toda a linguagem, simbolismo e sonoridade debruçadas e embutidas na ocasião.
Situaria e sintonizara meu EU como instância de desconhecimento e descontentamento,
Ilusão, alienação, Psique egoísta e sede do meu infinito narcisismo,
Introspectaria que a roda gira e o signo mais real, o significante
Precede e determina o significado.
Não, não daria!!
Não depois de ela desenhar em seu rosto as marcas dos guerreiros mais bravos e valentes,
Trocar a roupa brilhante de festa pelas penas coloridas e colares de sementes,
Tirar o scarpin, pisar na terra vermelha e adornar sua cabeça com um cocar de cores vivas,
E de berrar, clamar e dar o mais agudo e violento grito de guerra.
Não depois de partir para a luta e retornar com a cabeça do inimigo nas mãos.
Já pronta para as comemorações, recebimento de condecorações e medalhas
Recebi a notícia pelo mensageiro, que ela iria festejar em outro povoado,
A fraqueza me tomou de assalto, minha capacidade de pedir sua presença esmoreceu,
Com certeza, teríamos outros festejos, exaltações e instantes de glórias para estarmos juntas,
E fiquei ali acocorada, quieta, emudecida, só com meu imaginário tolo e simplório.
Eu não tive coragem de verbalizar meu pensamento elástico e alegre,
Deixei fluir seu contexto de vida com suas conexões e expressões secretas e sagradas,
Era um pedaço de vida cheio de momentos sabidos e esperados,
Ela guerreou cada batalha e, merecidamente, venceu a faustosa guerra.
Fantasiando como poderia ter sido belo celebrar amplamente todas nossas narrativas,
Permaneci pacífica e sossegada ao ver o sequestro do meu sonho,
Sonho sonhado por incontáveis noites em preces e inúmeros dias sem fim,
Porém, eu não podia edificar meus sonhos mais sonhados impondo-lhe minhas vontades infantis,
Teria que (re)construir, lentamente, todo o registro da explosão da alegria que veria em seu rosto.
Precisei aprender, compreender e apreender o saber do seu "não-estar",
Resgatei forças dentro do meu surreal mundo para entender,
Que não se vive de um fragmento de momento, vive-se uma vida por inteiro,
Plantaria meus pés no chão naquela aldeia e vibraria com a nova tribo,
Os brotos de contentamento desabrochariam em luzes violetas.
E então a Mandala rodaria e emanaria toda a luz e o bem-querer para outra tribo distante,
De longe, mas bem de perto, o ritual seria compartilhado e o cerimonial cumprido,
O rito de passagem, transição de um período para outra vida seria sentido e ouvido,
Não só pelos rufar dos tambores mas também pelo estado de uma nova consciência,
Renascida como Fénix, alcançaria a lucidez de perceber que a iniciação através do ritual,
Com transformação mais profunda de personalidade da pequena Juçara,
Se dá, independente, do Pagé, se dá associado a uma missão cumprida,
Ricamente tatuado pelas imagens que serão para sempre mantidas no consciente,
Com toda a linguagem, simbolismo e sonoridade debruçadas e embutidas na ocasião.
Situaria e sintonizara meu EU como instância de desconhecimento e descontentamento,
Ilusão, alienação, Psique egoísta e sede do meu infinito narcisismo,
Introspectaria que a roda gira e o signo mais real, o significante
Precede e determina o significado.
Não, não daria!!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Querer
Mulher-Muralha feita de verdades e vontades,
Fêmea-Minimalista surgida das poucas porções de vida,
Pessoa-Indefinida forjada pelas incertezas não vividas,
Criatura-Montanhosa de grandes dimensões e pequenas decepções,
Quero minha parte oculta e escura onde pouso descansada,
A luz ofusca a visão e perturba o razoável,
A cabeça dói e lateja por ser quem queria não ser,
Tarde, muito tarde para mudar de direção,
Misturas de coisas sentidas e passagens lacônicas,
Uma estrada coberta de poeira e barro deslizante,
Os escorregões e as fissuras nos joelhos são bem-vindos,
Provas na carne do trecho percorrido e machucado,
O terço entre os dedos, a guia no pescoço, a bíblia nas mãos,
Símbolos, sinais e arquétipos de fé,
A abertura para o novo entopem os ouvidos,
As vozes se confundem como se vindas do além,
As palavras já não mais se decodificam,
Quero um local povoado pelo silêncio e gente,
Gente vinda com a calmaria da morte,
Quero a cama quente e meus lençóis frígidos e frios,
Quero a lama do pós-chuva, a sujeira do mar pós-ressaca,
Arar minha vida, sugar o ar e ser engolida pelo deserto árido,
Enterrar mortos e vivos, desenterrar mortos-vivos,
Vagar por entre almas e de sobressalto ter o imprevisto por designo,
Sulcar cada centímetro de sopro de vida e viver,
Quero a presença, o espírito, planos e metas.
Quero.
Fêmea-Minimalista surgida das poucas porções de vida,
Pessoa-Indefinida forjada pelas incertezas não vividas,
Criatura-Montanhosa de grandes dimensões e pequenas decepções,
Quero minha parte oculta e escura onde pouso descansada,
A luz ofusca a visão e perturba o razoável,
A cabeça dói e lateja por ser quem queria não ser,
Tarde, muito tarde para mudar de direção,
Misturas de coisas sentidas e passagens lacônicas,
Uma estrada coberta de poeira e barro deslizante,
Os escorregões e as fissuras nos joelhos são bem-vindos,
Provas na carne do trecho percorrido e machucado,
O terço entre os dedos, a guia no pescoço, a bíblia nas mãos,
Símbolos, sinais e arquétipos de fé,
A abertura para o novo entopem os ouvidos,
As vozes se confundem como se vindas do além,
As palavras já não mais se decodificam,
Quero um local povoado pelo silêncio e gente,
Gente vinda com a calmaria da morte,
Quero a cama quente e meus lençóis frígidos e frios,
Quero a lama do pós-chuva, a sujeira do mar pós-ressaca,
Arar minha vida, sugar o ar e ser engolida pelo deserto árido,
Enterrar mortos e vivos, desenterrar mortos-vivos,
Vagar por entre almas e de sobressalto ter o imprevisto por designo,
Sulcar cada centímetro de sopro de vida e viver,
Quero a presença, o espírito, planos e metas.
Quero.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Transparência

Então foi assim, uma surpresa. Nem agradável, nem desagradável, apenas mais uma surpresa que meu coração já anunciava há algum tempo.
Respeito
Pessoas têm comportamentos comprometidos com seus momentos de vida, agem de forma mais ou menos coincidentes com suas verdades e mentiras dos seus "agoras".
Porém, isso pode variar de pessoa para pessoa e estar ou não em concordância com seus espaços de tempo, mas transparecem suas certezas ou incertezas muito claramente aos meus olhos.
Acalento.
Gostaria, realmente, de ser pega no ato, mas minha percepção antecipada e aguçada, normalmente, me poupa do sobressalto e do inesperado, tornando, por vezes, a vida meio sem graça.
Porque o interessante é não prever e sim viver.
Mas no estágio em que já me encontro, não dá mais para lutar contra a natureza do meu self.
O negócio é enfrentar, segurar a minha onda, dissimular, me fazer meio de idiota e até posar de violeta com cara de hortência em várias situações.
Individualizo.
Não foi de propósito e nunca quis me passar por bruxa.
Foi uma coisa inexplicável, instintiva, irreparável e involuntária que foi crescendo comigo e eu, de minha parte, fui aprimorando desde sempre esse "dom".
O motivo é hiper simples de se compreender; era interessante e fui sendo levada e atraida, cada vez mais, por prever atitudes, palavras, gestos, sentimentos e decisões do "outro".
Nada passa turvamente pelos meus seis sentidos.
Tudo chega muito de mansinho, tranquilo, cristalino e irretocável.
Felizmente ou infelizmente nada escapa da minha alma.
Acato.
Talvez por ter sido uma menina muito calada e quase sem amigos, meu divertimento era observar quem estava no meu "em torno", com isso fui ganhando um conhecimento, meio que empírico, mas razoavelmente profundo dos seres humanos. Eram olhares, gestos e atitudes, palavras e o próprio calar das pessoas em minha volta que me fizeram enxergar além do que está sendo dito e feito.
Experimento.
Às vezes chega a ser uma coisa um tanto quanto incômoda e inquietante, pois nem sempre posso me expressar genuinamente, para evitar de passar por intrometida, presunçosa, metida e até mesmo A CHATA, e é nesse momento que o silêncio se apodera de mim.
Engasgo com meus pensamentos, embatuco, emudeço de verdade e oculto as palavras só para mim.
Silencio.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Pupa
Ela é linda, forte, sensível e não teme o predador,
Dentro da sua crisálida de cor dourada, vai preparando-se para seu grande vôo,
O processo de crescimento dentro do casulo, tem sido lento e saboreado,
O primeiro bater de asas dói, pois deve ser rápido e brusco - Vida.
Aconchegada nessa casquinha, assusta-se com o barulho de outras asas,
Intimida-se e desconfia que não será capaz de voar tão alto,
E curiosa em saber quais serão as suas cores futuras, ela sofre,
Sofre a dor da incerteza, a dor do crescimento, a dor do destino - Rito de Passagem
Tudo que é doído, suado e sofrido, quando passado tem sabor encantado,
Sabor de legítimo, de autêntico, sabor de mito ultrapassado,
Ela sabe que vai voar alto e que suas asas serão multicores,
Porém, não está dispensada das manifestações do incerto - Natureza
A fada vai chegar com poções de alívio e acalento,
O mago traz a confiança embrulhada para presente,
Seu vôo fundamental e primeiro será sentido como solitário,
Mas a fada e o mago estarão voando ao lado de sua alma - Pais
O sucesso do imago é inevitável, restarão lembranças e memórias,
Do casulo, da crisálida, da dúvida e do primeiro vôo,
A borboleta, então, estará se alimentando do néctar doce e esperado,
Ela encara a fase adulta exuberante e certa das cores de suas asas - Metamorfose completa
Dentro da sua crisálida de cor dourada, vai preparando-se para seu grande vôo,
O processo de crescimento dentro do casulo, tem sido lento e saboreado,
O primeiro bater de asas dói, pois deve ser rápido e brusco - Vida.
Aconchegada nessa casquinha, assusta-se com o barulho de outras asas,
Intimida-se e desconfia que não será capaz de voar tão alto,
E curiosa em saber quais serão as suas cores futuras, ela sofre,
Sofre a dor da incerteza, a dor do crescimento, a dor do destino - Rito de Passagem
Tudo que é doído, suado e sofrido, quando passado tem sabor encantado,
Sabor de legítimo, de autêntico, sabor de mito ultrapassado,
Ela sabe que vai voar alto e que suas asas serão multicores,
Porém, não está dispensada das manifestações do incerto - Natureza
A fada vai chegar com poções de alívio e acalento,
O mago traz a confiança embrulhada para presente,
Seu vôo fundamental e primeiro será sentido como solitário,
Mas a fada e o mago estarão voando ao lado de sua alma - Pais
O sucesso do imago é inevitável, restarão lembranças e memórias,
Do casulo, da crisálida, da dúvida e do primeiro vôo,
A borboleta, então, estará se alimentando do néctar doce e esperado,
Ela encara a fase adulta exuberante e certa das cores de suas asas - Metamorfose completa
Assinar:
Postagens (Atom)
