sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Nada

Costumava nadar e se encontrar nas águas,
Jamais precisara de bóias, pranchas ou tábuas,
Era auto suficiente naquelas águas, fossem frias, fossem mornas,
Num de seus mais lindos e  longos mergulhos, voltou com seu peixe dourado,

E se fizeram amigos, e se enamoraram e se fizeram amantes,
Planos Santos, Insanos, Maduros, Doidos, Roídos e Caídos,
Nadaram juntos, colados, suados e molhados,
Ele preferia costas e à ela agradava o nado sincronizado
Era belo vê-los juntos, era belo sabê-los juntos, eram belos,
Eis que surge a Sereia dos Mares e requisita o soldado dourado,
Ela se debateu, se derreteu, se comoveu, se  corroeu e se rendeu.
Nunca mais fora a mesma.

Até nadou em outras mares, em outros lagos e  oceanos,
Um nado triste, um nado só, um nado vago, um nado falho, um nado feio,
Em cada peixe, em cada ouriço, em cada cavalo marinho, ela o procurava,
Tentou inventá-lo, recriá-lo, relançá-lo e por fim dançou a valsa e cantou Titãs, 
Tentou ser má, tentou ser louca, tentou ser sórdida, tentou ser móbida e vadiar, 
Mas tudo em vão, ele estava são e ela dona de boa e bonita índole,  
Decidiu jogar.

Apostou alto, calçou o salto, vestiu o manto e se pos num canto,
Passou por ele fez que não viu, olhou de lado e ele sorriu ,
Corou de medo, endureceu de tédio, morreu de ódio, ruborizou de desejo,
Inspirada, desesperada, enamorada, descabelada e encantada decidiu amar,

Amor com força, amor coragem, amor de fato, amou inteira e até faceira,
Nada com ele, nada sem ele, nada,
Nos mesmos mares, lagos, riachos e oceânos.
N.A.D.A



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

V-I-D-A

Há quem diga que ela não vive mais entre nós,
Há quem diga que ela, de repente, emaluqueceu,
Há quem diga que ela, livremente, desatou seus nós,
Há quem diga que ela foi tombada e desfaleceu,

Ela tem muitas manias e mesmices,
Ela tem muitas palavras engasgadas,
Ela tem muitas atitudes deslavadas,
Ela tem muitas visões escravizadas,

Vive alegre e gargalha sem tremer,
Vive alheia e chora sem querer,
Vive o agora sem medo de morrer,
Vive suave e serena sem pressa de correr,

Ela pensa, ela existe, ela caminha, ela respira e reside em si,
Por bem, por mal, por nada, ela esfrega as mãos e me vê em si,
Ela ama, ela (de) ama, ela planta, ela colhe e ela se recolhe,
Por cima, por baixo, de lado, de frente e de costas, ela encolhe,

Foi arrebatada por uma paixão antiga que saiu do baú,
Andando com suas próprias pernas- Paixão não vivida,
Paixão dividida, paixão sem rosto, sem nome e sem temores,
Vida pulsa, vida é vida, vida flui, vida é vida!

Vida não dá pra não ser vivida!!!!!!!!!!



























 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Desentoxicando

Admiro, temo, encontro e solidifico,
Agarro a chance, agradeço a gentileza e perdôo o imperdoável,
Vampirizo a relação, carnavalizo o vestuário e desnudo o adversário,
Comprometo-me sem compromisso e passo minha vez,


Me envolvo, me associo, me sensibilizo e me escandalizo,
Te enrolo, te assombro, te sequestro e te escravizo,
Não quero mais, quero muito, quero o nada e quero teu tudo,
Desalinho, desafio, desconverso, desconecto, desenterro,


Cada medo, cada selo, cada zelo, cada nervo,
Tudo serve, tudo encarde, tudo roda e nada rola,
Teus ombros, teu peito, tuas coxas, teus olhos,
Sentem, mentem, escondem, revelam e cobrem-se,


Me compadeço, me entristeço, me aborreço, me ofereço,
Aceitas, finges, repulsas, buscas e salvas,
Salvas a ti, salvas a mim, salvas a nós e salvas a vós,
Pelo freio, pela cria, pelo feio, pela fria carne cortada em laços,

Contudo, chegamos ao fim. Sãos e salvos do arremedo de fantasma,
Porém, desencontramo-nos no vagão daquele metro,
Mas, foi consideravelmente uma loucura santa,
Portanto, valeu o centim rasgado, a fita esfarrapada e cada beijo não dado.







domingo, 3 de outubro de 2010

Sem Coragem

E ele me chamou de sua, falou das saudades e da falta de notícias,
Reclamou minha presença e se mostrou impermeável às minhas desculpas,
Rezou um terço, leu a biblia e pediu perdão,
Me arrastou pro quarto, se deitou na cama e pediu carinho,

Me rasgou a blusa, afagou meu ventre e me virou de frente,
Chorou de rir, fingiu dormir, cantarolou baixinho e me traduziu,
Pensou alto, esculpiu meu corpo e desenhou minhas formas,
Me sentou  na cadeira de balanço pra me ver inteira,
Admirou a imagem, posou de bom moço e acreditou em mim,


Bebeu bom vinho, cheirou meu cheiro e adormeceu,
Sonhou com o Éden e percebeu-se no paraíso,
Leu poeia, escreveu um conto e cantou Chico,
Levantou num salto, abriu a caixa e guardou segredos,

Nos olhamos fundo, de verdade e quase saudosos,
Fizemos promessas, marcamos outra data e demos as mãos, 
Re-vimos  cada canto , batemos a porta, entramos no carro,
Dissemos "Adeus" e como por encanto, tudo escureceu,
Escuro no céu, escuro no mar, escuro por dentro, só escuridão.


Quando amanhecer, "você vai me ver" -  Eu menti pra ele
 







terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sem Máscaras

Descaracterizou-se rapidamente para não ser reconhecida,
Lavou a alma e o espírito com a água benta - era santa,
Os pés alternavam-se pisando no chão macio do tapete,
Revitalizada e desmascarada, apareceu e não sorriu,


O jogo já tinha começado há muitos meses atrás
Ela já estava no segundo tempo e bastante aquecida,
E ele, descaradamente, usava o uniforme o time adversário,
Afogada em sonhos de vitória, ela percebeu-se vazia - era puta,

Enfeitou-se com pérolas, argolas, plumas e penas coloridas,
Porém, estava em preto e branco por dentro - fingia muito,
Sem medo ou pudor, sorria sempre e chorava pouco,
Pintava os olhos e passava baton -  era atriz,


Enfiou-se no quarto e representou a cena,
Sua performace sempre fora muito convincente, 
A dele também, com mentiras e fingimentos,
Eles pagavam um preço alto para manter a ordem,

Bebiam a bebida doce, surtavam em momentos mútuos,
Dançavam a dança do nada e viviam a vida morna juntos ,
Ela vasculhou os cantos e omitiu-se,
Ele não mentiu, mas não se envolveu de vez.


Mereciam-se, escondiam-se, recolhiam-se e encolhiam-se,
Murchos, secos, gastos,  foscos e desgraçados,
Seguiam andando pra trás, de marcha ré, de costas e às cegas,
Os anjos cantaram e os deuses abençoaram aquela desunião.




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

céu

Eu quis experimentá-lo, manipulá-lo delicadamente,
Não poupei mãos, boca,lingua, coxas, peitos e pernas,
Fui agregando sensações e sutilezas àquele instante,
Ele foi aceitando meus toques singulares e penetrantes,
Sem qualquer restrição ou embaraço sujo,
Apostamos e ansiamos sem precariedades por tudo aquilo,
Momentos de gratificações, silêncios e abraços,
De beijos longos e quentes, que me fizeram revisitar o passado,
Trocamos palavras, roupas, gestos, carinhos e segredos,
Pusemos nossos corpos entregues lado a lado,
Fomos guiados por nossos cheiros,fomos nos aceitando,
Devagar, sem pressa e com fogo de dois amantes,
Os movimentos eram densos e vigorosos, criamos laços,
Laços,mas não relacionamento, nada organizado,
Tudo com extravagância, interação e alinhamento; porém,
Sem bases, garantias ou seguranças,
Dividimos, massageamos, falamos, rimos e trepamos.


O céu existe!


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ela III

Não era forte, não era rico nem pobre,
Não fazia o tipo dela, não lia filosofia,
Não tinha porte, não divagava nem sentava no divã,
Mas reconheceu-a  como a fêmea que sempre fora.

Fêmea que tivera que esconder-se pra (sobre)viver 
E ela desfez-se em mulher na frente dele,
E ela derreteu-se, ele lambuzou-se dela,
Ele trouxe na mala única, o presente.


Nem passado nem futuro, só presente,
O presente do delírio e do prazer,
Do prazer de sentir-se na carne,
Mulher no ato e não de fato.

O tom pausado e sussurrado da voz dele,
Quase não a deixava ouví-lo, ela adivinhava,
Os pensamentos e querências daquele homem,
Que a fez borbulhar num espumante ritmado.



Ela não podia falar dele, mas sabia seu nome,
Ele podia falar, mas desconhecia o nome dela,
Ele é o segredo dela do mundo,
E ela é ela pra ele.



domingo, 20 de dezembro de 2009

Amantes

Razões existiram para que aqueles jovens dois trocassem telefones,
foi um desses encontros que nos assolam sem piedade,
que nos levam os êxtase do sagrado por meio do profano, 
então os dois amantes revelaram segredos íntimos e diabólicos um para o outro,
perderam-se no tempo, no espaço, em lençóis macios e de cheiro agradável


Desapareceram amores, sucumbiram às certezas e gritaram de prazer,
um grito surdo e emudecedor rasgou a sala de jantar e fez-se ouvido no mundo,
Permaneceram imóveis, cheirando o aroma do deleite,
embebidos do contentamento do momento, perderam-se um no outro,

E o lugar ficou pequeno e quente para tanta delícia carnal,
era delírio, era perturbação incosciente, era química de peles, 
peles suadas, peles arrepiadas, peles descobrindo peles,
peles que precisavam daquelas exatas peles,

Era exultação sem hesitação com muita excitação,
A novidade do novo toque, a sabotagem ao antigo sabido,
a proeza do escondido, a manha do proibido, a façanha do desconhecido,
o escândalo da descoberta, a censura do pecado mordido, a arte da desordem,

O pensar cedeu espaço para o "não-pensar" e seus pensamentos vagaram,
A magia daquele instante ainda perdura naqueles corpos viscosos,
instaurou-se a anarquia naqueles corações imaturos,
instalou-se a o receio e a suspeita naquelas mentes tão prematuras, 

Confrontaram-se com a magia da realidade da improvável relação,
O anjo torto trouxe testemunhas vorázeis do desenlace,
ainda que não fosse o desenlace final, teriam que encarar algum desfecho,
a malevolência e a ironia seriam as amigas mais próximas.

Infelizes, ainda hoje, tentam  aceitar a vida fingida, 
vivem de acordo com o que lhes fora imposto,
sem prazeres, sem amores, secos e amargando seus calvários,
retorcidos pelas circunstâncias, seguem lutando contra ritmo parcial.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Líquida



Diferentemente de ontem, hoje ela pacificou-se,
entrou num estágio de bela e benéfica letargia ,
criou um personagem capaz de alimentar-se de desilusões,
passou a convencer-se da necessidade dos fatos ricos.


Iniciou uma fase de reticências, derivas e sortes,
afastou-se de seus tormentos, ânsias e aflições,
teve a habilidade de inventar uma situação cármica,
onde vê-se livre para encarar a coincidência vivida,


Tudo é sempre perdoável, inimaginável, imponderável,
sempre impessoal, não dirigível e falível,
ela ama incondicionalmente, é feita de amor e condescendências,
por um instante afrontou os nós desatados,


Ela não cumpriu seu papel, falhou em ser a pérola,
fendeu e despediu-se de si mesma há muito tempo atrás,
não encarou com exatidão o princípio correto, despiu-se
e preferiu ser covarde saindo `a francesa,


Vacilou no momento do enfrentamento,
deixou-se na mão e perdeu-se de seus lances felizes,
mas afinal quem é ela? ela é ela? ou ela é outro ser?
ela é um ser andante, acolhedor e pouco falante,


Ela é fraca, pobre,  podre e sem poder algum,
sem forças, sem rosto, sem gosto, sem valentia,
ela é nada, ela é invisível, ela é indivisível, ela  é indolor,
ela é inodora, insípida e incolor,

Ela é como a água que escorre pelas mãos,
mata a sede, refresca; porém não mata a fome,
enche um copo de cristal, uma bacia de prata, 
entretanto, é sem graça, não desperta o entusiasmo.


Ela é líquida e certa.










terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Voltou

Pensamento pensado, gestos gesticulados, atitudes tomadas,
saliva engolida, ar respirado, raptos sadios, 
sabor saboreado, amargo da vida, doce algodão, 
peitos, coxas, unhas e cabelos, tudo em vão,



Num raio de luz a agonia do peso,
a culpa consome, a dor é insana, a voz é serena,
o olhar penetrante distorce a alma,
agito de mente, desce ao ralo a sólida calma,


Pedaços e cacos dos fragmentos brilham ao sol,
querer, queria, mas não podia,
tudo amarrado, boca fechada, solidão vazia,
forte não mais, criança pequena, colo pedia,


A roupa lavada, amassada do tempo,
de branco encardido, preto surrado, vermelho desbotado,
as cores mudaram, o vento soprou, a roupa secou,
mudança que vinha, vida que ia, nada esperado,


A menina cresceu, a mulher esqueceu, o homem morreu,
o vaso quebrou, a chave emperrou, a lua emergira,
de tanto pensar, esqueceu de lembrar e desfaleceu,
voltou para o cosmo de onde surgira.













quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Velha




Alívio, tentativa, procura e entendimento.
Ela teima em não sair de cena.
Visões de prazer enchem seus olhos.
Ela quer, ela precisa, ela deseja.

Amarga o sabor da certeza.
Saboreia cada pensamento.
Devora seus instintos.
Alimenta-se de cada flash sonhado.

Mas ela envelhece...

Dança, canta, fala compulsivamente.
Exorciza-se, mas quer o diabo.
Tolerante, compreende e carece.
Tomar parte, infiltrar-se, espionar.

E ela envelhece...

Não racionaliza mais, quer, pede.
Implora, roga e, em paz, e faz seus curativos.
Limpa as feridas sem a menor dor.
Sem o menor pudor, com um certo prazer.

Porém ela envelhece...


Voa ao futuro e rasga suas tripas,
Vai ao passado e purga o pus da lembrança.
Lê o presente numa carta sobre a mesa.
Os olhos minam a água doce.


Exige, requer, supõe, geme e grita.
Goza do conceito, do esboço e da opinião.
Masturba-se com audácia e lentidão.
Quem é ela?


Uma velha senhora sentada `a beira do cais.
Uma velha puta feita de entranhas repugnantes.
Uma velha criatura sem função, sem título.
Uma pessoa que é o que nunca quis ser.


Ela...






terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Tharcilla




Tharcilla estava completamente absorta, perdida entre sua agulhas longas e pontiagudas de tricô, envolta em suas lãs, linhas e fios de almíscar e absinto. 
Era praticamente sua última laçada, enfiou com destreza a agulha na lã lilás, cor de flores de alfazema e no instante de puxá-la, foi  abduzida do seu mundo de paz e cores para o mundo real pelo toque de seu celular.
Assustou-se  por um momento; porém o som suave e sereno, como tudo em sua vida, fez com que voltasse ao seu ritmo terno e doce em segundos. 
Na telinha do telefone vinha um aviso de mensagem nova e fresquinha. 
Ela sorriu.

Ele nunca trazia mensagens de dor.
Então, prontamente, Tharcilla se prepara beber cada palavra escrita como se um néctar fora. As palavrinhas miúdas saltitavam e seus olhos brilhantes e atentos a tudo e a todos iniciaram a leitura.
Ela leu e releu por algumas vezes, nada novo...
O comunicado já havia sido feito  por gestos e atitudes, ela já havia compreendido a mensagem, muito, muito antes de ser escrita.

...nenhuma reação, nenhum sentimento, nenhum assombro.
Era só a mesmice já sabida, revelada e agora assumida.
Ela achou sublime, digno e bonito. 



Seu mundo continua  com cor, suas agulhas ainda ferem seus dedos, suas lãs, linhas e fios ainda se enroscam e se embolam.
Tharcilla olhou para o nada , respirou fundo, suspirou e não se abalou.
Enfiou-se novamente em confeccionar seu agasalho de vida.







sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ela -II

Inegavelmente, ela tem um jeito agitado de ser,
Uma mania de ser rápida, ágil e ligeira nos seus pensamentos, palavras e afazeres,
Porém, nada escapa aos seus seis sentidos, capta cada ocasião como se fosse a última,

É espevitada, afetada no falar e seus olhos captam tudo instantaneamente,
Seus gestos são flashes, seu nariz cheira os cheiros mais remotos e estranhos,
Não anda, corre, tropeça muito, escorrega e, quase sempre, cai,
Não mastiga, engole empurrando a comida com líquidos para descer mais rápido,
Seus pensamentos se embolam, se esbarram, se embaralham e se misturam,

Não dorme, cochila, dormita, oscila entre o sonho e a realidade,
Esperar é um castigo, a expectativa lhe consome, quer tudo para ontem,
A demora causa-lhe asco, o marasmo impõe-lhe a angústia e a apatia lhe repulsa,
Ela é assim, uma mulher de movimentos bruscos e de velocidade,
Ócio é palavra inexistente em seu dicionário, sempre inventa e reinventa o que fazer,

O coração dela bate sempre rápido, não gosta de perder tempo com suas correntes sanguíneas,
O corpo tem que lhe acompanhar, senão fica para trás e ela segue,
Segue seguindo seu ritmo frenético de ser, puxando a vida pela mão,
Impinge ao seu corpo frágil tarefas árduas e cansativas, mas as mãos pequenas são suas aliadas,
Ela vive como se hoje fosse seu último dia de vida, nada pode ficar para amanhã,

Mas esta pequena ligeira é capaz de se dedicar, se doar, se envolver e de amar,
Com a calma do sossego de espírito e da quietação dos mortos,
Ela é ela, e ninguém mais,
Rápida, prática e cheia de agilidade para com vida cotidiana,
E muito lenta, compassada, pausada e vagarosa para o amor...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Luzes coloridas

Sentir é diferene em cada pessoa, é uma individualização de como se põe reparo nos objetos, pessoas, sentimentos.
Reparar não é exatamente sentir, mas observar e redobrar atenção no que acontece em, com você, em e com os que compõem sua breve existência no planeta.
Por isso gostamos de cores, sabores e cheiros, completamente, diferente dos outros.
Cada um sente a sua dor de uma maneira própria e pessoal, dor não dá para explicar em palavras como a sentimos, sentimos e punto!
Mesmas experiências são vividas igualmente por várias pessoas, entretanto, as reações diante delas são igualmente diferenciadas.
Somos seres únicos e com carregamentos, marcas e registros baseados em sensações oblíquas e perpendiculares, que quase nunca se esbarram com visões alheias.

Apenas, vivemos.

O que é grande para mim, com certeza, pode ser pequeno para você e assim, vice-versa.
O compartilhamento de vidas também colabora para que nos acostumemos com novas emoções, riscos, e percepções do realizar pessoal e induvidual.
Dores, intuições, pensamentos, magias, sobressaltos e reações mudam a cada dia, dependendo da nossa capacidade de ver e enxergar o mundo. E o mundo vivenciado por nós é muito rico e bonito para detahes pequenos e passageiros.

Minha vida vai correr seu fluxo a partir de mim e não de você.

Parei, reparei , prestei muita atenção e olhei cuidadosamente em minha volta e só vi gente feliz e contente por estar ali.
Cores variadadas de luzes coloridas explodidas no céu , beijos e abraços compartilhados e repartidos com muito prazer, desprendimento, sinceridade e alegrias espontâneas.
Vivi o experimento do desprendimento, do desapego e da falta do meu pedaço. E, incrivelmente, estava feliz!

Percebi, ainda assustada que não havia lugar para dores, lágrimas, ressentimentos, arrependimentos, sofrimentos ou quaisquer outros sentimentos negativos ou arraigados `as minhas origens.
Sorri e gargalhei de prazer por estar ali. Estranhei-me.
A saudade não apertou, o peito não doeu, os osssos não tremeram involuntariamnete como de costume.

O importante naquele momento foi me dar conta de que cada um estava bem, desfrutando seu momento e espaço escolhidos, determinados por seu gosto, vontade e destino.
Invadiu-me a tranquilidade, suavidade e um forte estado sereno conquistou minha alma.
Jamais sentira um destravar de grilhões antes em minha vida, era como se eu estivesse me redescobrindo. Redefini-me.

Não doeu, não magoou, não melindrou, não afligiu, não causou dano algum ao meu mais profundo e íntimo sentimento. Entendi o reviver, sem amarras, sem correntes, sem conveções, sem contratos ou compromentimentos. Fui capaz de distinguir a paz e o contentamento de cada ser, independente de mim.

Lição farta de novidades e boas notícias para meu coração.
Já era hora de eu crescer um pouquinho, e não doeu!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Não daria

Não daria para dizer não depois de tudo que foi realizado, enfrentado e alcançado por ela,
Não depois de ela desenhar em seu rosto as marcas dos guerreiros mais bravos e valentes,
Trocar a roupa brilhante de festa pelas penas coloridas e colares de sementes,
Tirar o scarpin, pisar na terra vermelha e adornar sua cabeça com um cocar de cores vivas,
E de berrar, clamar e dar o mais agudo e violento grito de guerra.

Não depois de partir para a luta e retornar com a cabeça do inimigo nas mãos.

Já pronta para as comemorações, recebimento de condecorações e medalhas
Recebi a notícia pelo mensageiro, que ela iria festejar em outro povoado,
A fraqueza me tomou de assalto, minha capacidade de pedir sua presença esmoreceu,
Com certeza, teríamos outros festejos, exaltações e instantes de glórias para estarmos juntas,
E fiquei ali acocorada, quieta, emudecida, só com meu imaginário tolo e simplório.

Eu não tive coragem de verbalizar meu pensamento elástico e alegre,
Deixei fluir seu contexto de vida com suas conexões e expressões secretas e sagradas,
Era um pedaço de vida cheio de momentos sabidos e esperados,
Ela guerreou cada batalha e, merecidamente, venceu a faustosa guerra.


Fantasiando como poderia ter sido belo celebrar amplamente todas nossas narrativas,
Permaneci pacífica e sossegada ao ver o sequestro do meu sonho,
Sonho sonhado por incontáveis noites em preces e inúmeros dias sem fim,
Porém, eu não podia edificar meus sonhos mais sonhados impondo-lhe minhas vontades infantis,
Teria que (re)construir, lentamente, todo o registro da explosão da alegria que veria em seu rosto.


Precisei aprender, compreender e apreender o saber do seu "não-estar",
Resgatei forças dentro do meu surreal mundo para entender,
Que não se vive de um fragmento de momento, vive-se uma vida por inteiro,
Plantaria meus pés no chão naquela aldeia e vibraria com a nova tribo,
Os brotos de contentamento desabrochariam em luzes violetas.

E então a Mandala rodaria e emanaria toda a luz e o bem-querer para outra tribo distante,
De longe, mas bem de perto, o ritual seria compartilhado e o cerimonial cumprido,
O rito de passagem, transição de um período para outra vida seria sentido e ouvido,
Não só pelos rufar dos tambores mas também pelo estado de uma nova consciência,

Renascida como Fénix, alcançaria a lucidez de perceber que a iniciação através do ritual,
Com transformação mais profunda de personalidade da pequena Juçara,
Se dá, independente, do Pagé, se dá associado a uma missão cumprida,
Ricamente tatuado pelas imagens que serão para sempre mantidas no consciente,
Com toda a linguagem, simbolismo e sonoridade debruçadas e embutidas na ocasião.

Situaria e sintonizara meu EU como instância de desconhecimento e descontentamento,
Ilusão, alienação, Psique egoísta e sede do meu infinito narcisismo,
Introspectaria que a roda gira e o signo mais real, o significante
Precede e determina o significado.

Não, não daria!!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Querer

Mulher-Muralha feita de verdades e vontades,
Fêmea-Minimalista surgida das poucas porções de vida,
Pessoa-Indefinida forjada pelas incertezas não vividas,
Criatura-Montanhosa de grandes dimensões e pequenas decepções,

Quero minha parte oculta e escura onde pouso descansada,
A luz ofusca a visão e perturba o razoável,
A cabeça dói e lateja por ser quem queria não ser,
Tarde, muito tarde para mudar de direção,

Misturas de coisas sentidas e passagens lacônicas,
Uma estrada coberta de poeira e barro deslizante,
Os escorregões e as fissuras nos joelhos são bem-vindos,
Provas na carne do trecho percorrido e machucado,

O terço entre os dedos, a guia no pescoço, a bíblia nas mãos,
Símbolos, sinais e arquétipos de fé,
A abertura para o novo entopem os ouvidos,
As vozes se confundem como se vindas do além,
As palavras já não mais se decodificam,

Quero um local povoado pelo silêncio e gente,
Gente vinda com a calmaria da morte,
Quero a cama quente e meus lençóis frígidos e frios,
Quero a lama do pós-chuva, a sujeira do mar pós-ressaca,

Arar minha vida, sugar o ar e ser engolida pelo deserto árido,
Enterrar mortos e vivos, desenterrar mortos-vivos,
Vagar por entre almas e de sobressalto ter o imprevisto por designo,
Sulcar cada centímetro de sopro de vida e viver,

Quero a presença, o espírito, planos e metas.
Quero.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Transparência




Então foi assim, uma surpresa. Nem agradável, nem desagradável, apenas mais uma surpresa que meu coração já anunciava há algum tempo.

Respeito

Pessoas têm comportamentos comprometidos com seus momentos de vida, agem de forma mais ou menos coincidentes com suas verdades e mentiras dos seus "agoras".
Porém, isso pode variar de pessoa para pessoa e estar ou não em concordância com seus espaços de tempo, mas transparecem suas certezas ou incertezas muito claramente aos meus olhos.

Acalento.

Gostaria, realmente, de ser pega no ato, mas minha percepção antecipada e aguçada, normalmente, me poupa do sobressalto e do inesperado, tornando, por vezes, a vida meio sem graça.
Porque o interessante é não prever e sim viver.
Mas no estágio em que já me encontro, não dá mais para lutar contra a natureza do meu self.
O negócio é enfrentar, segurar a minha onda, dissimular, me fazer meio de idiota e até posar de violeta com cara de hortência em várias situações.

Individualizo.

Não foi de propósito e nunca quis me passar por bruxa.
Foi uma coisa inexplicável, instintiva, irreparável e involuntária que foi crescendo comigo e eu, de minha parte, fui aprimorando desde sempre esse "dom".
O motivo é hiper simples de se compreender; era interessante e fui sendo levada e atraida, cada vez mais, por prever atitudes, palavras, gestos, sentimentos e decisões do "outro".
Nada passa turvamente pelos meus seis sentidos.
Tudo chega muito de mansinho, tranquilo, cristalino e irretocável.
Felizmente ou infelizmente nada escapa da minha alma.

Acato.

Talvez por ter sido uma menina muito calada e quase sem amigos, meu divertimento era observar quem estava no meu "em torno", com isso fui ganhando um conhecimento, meio que empírico, mas razoavelmente profundo dos seres humanos. Eram olhares, gestos e atitudes, palavras e o próprio calar das pessoas em minha volta que me fizeram enxergar além do que está sendo dito e feito.

Experimento.

Às vezes chega a ser uma coisa um tanto quanto incômoda e inquietante, pois nem sempre posso me expressar genuinamente, para evitar de passar por intrometida, presunçosa, metida e até mesmo A CHATA, e é nesse momento que o silêncio se apodera de mim.
Engasgo com meus pensamentos, embatuco, emudeço de verdade e oculto as palavras só para mim.

Silencio.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pupa

Ela é linda, forte, sensível e não teme o predador,
Dentro da sua crisálida de cor dourada, vai preparando-se para seu grande vôo,
O processo de crescimento dentro do casulo, tem sido lento e saboreado,

O primeiro bater de asas dói, pois deve ser rápido e brusco - Vida.


Aconchegada nessa casquinha, assusta-se com o barulho de outras asas,
Intimida-se e desconfia que não será capaz de voar tão alto,
E curiosa em saber quais serão as suas cores futuras, ela sofre,

Sofre a dor da incerteza, a dor do crescimento, a dor do destino - Rito de Passagem


Tudo que é doído, suado e sofrido, quando passado tem sabor encantado,
Sabor de legítimo, de autêntico, sabor de mito ultrapassado,

Ela sabe que vai voar alto e que suas asas serão multicores,

Porém, não está dispensada das manifestações do incerto - Natureza


A fada vai chegar com poções de alívio e acalento,

O mago traz a confiança embrulhada para presente,
Seu vôo fundamental e primeiro será sentido como solitário,

Mas a fada e o mago estarão voando ao lado de sua alma - Pais

O sucesso do imago é inevitável, restarão lembranças e memórias,

Do casulo, da crisálida, da dúvida e do primeiro vôo,

A borboleta, então, estará se alimentando do néctar doce e esperado,

Ela encara a fase adulta exuberante e certa das cores de suas asas - Metamorfose completa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Simplesmente





Queria muito esse querer, parecia orar por isso todos os dias,
Queria juntar-se e não mais sentir-se isolada, aguardava resoluções,
Porém, nada estava na sua alçada, tudo dependia da conjuntura,
Da infra-estrutura, da ocasião, do mérito e da pirâdime estrutural,
A qual já havia sido requintada, requentada e paralisada,

Nesse questionamento "aguardativo", ela espiava dois grupos distintos de criaturas,
O primeiro composto por pessoas desvalidas de sentimentos e fortemente guarnecidas de contruções abstratas,
Com capacidade cruel de descarregar todas suas frustações no seu outro
Fundamentados em suas mitomanias crônicas, essas criaturas vão elaborando estórias,
Se construindo e se compensando nelas e através delas,
Tentando tapar suas camadas de ozônio mentais com fantasias e narrativas fictícias,
Abalando e pervertindo o equilíbrio dela,

O segundo grupo formado por sujeitos capazes de acalentar e olhar,
Desnudados de maldade e forjados na flexibilidade do ouvir,
Nus e de pés descalços massageiam a areia molhada e macia da praia morna,
Com comportamentos maleáveis e adocicados, são esses seres que despertam,
Nela um repertório de transições, mutações e mudanças enriqueceroras,

Ela quase sempre habita seu lado de fora do mundo, numa forma enlouquecida de convivência,
A demência, vez ou outra, apodera-se dela; porém, quanto mais lucidez e sensibilidade ela tem,
Mais sofrido é viver regras impostas pela sociedade que, normalmente, a sufocam e estrangulam,
Ela fica grande e sábia quando encontra em si mesma os ítens que quer alterar,
Ela não quer mudar nem trapacear, ela quer transgredir, superar e ser superada,

Ela deseja ser o meio, a equação, o "entre", o ponto médio, nem boa nem má, apenas ela,
Quer o pacto das duas partes, o ressoar e o entoar do resultado da reinvenção do bom,
Quer o vínculo, o elo, a ligação, a bússula, a semente na terra, o fruto no pé,
Ela quer vida, vida vivida, vida sabida, vida inventada, vida brincada, vida verdade,
Quer tradição, eterno, perdão, paixão, cabeça na lua e muito pé no chão,


Ela não quer fórmulas, não quer receitas, não quer paradigmas, não quer parâmetros, nem dogmas,

Quer somente o bom e o equilíbrio entre forças e grupos ,

Quer a senóide dos sentimentos, a negociação com a dor e o acordo com a alegria,

Outra vez, ela quer ser a absoluta e real justaposição, a relação vertical e a congruência.


Seu desejo profundo e exclusivo é ver e sentir o regular, o coerente, o ordinário e o harmônico,

Ela quer simplesmente o simples.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ela


Fera enjaulada, fera aprisionada, fera encarcerada, fera enclausurada, fera acuada
É assim que se sente quando é contida, ela é gado em pastagem, ela é solta.
É de um só enquanto pode sustentar-se em suas grandes asas pelos céus da cidade,
É de muitos quando tem a sensação de voar em bando reprimida,
É de todos no instante que prevê seu calabouço, ela águia.

Ela é dispersa, volumosa e volátil, ela é ar, gás, energia, vibração,
Tudo dela é em curta metragem, rápido, ligeiro, ela é trovão e chuva de verão.
Dispensa as overdoses, agradece os discusrsos, não gosta de palestras,
Nada pode demorar mais que o tempo de um raio rasgando o espaço, ela é velocidade.

É angustia da sentença, é de amores passageiros, é de amantes grosseiros,
Selvagem por natureza, não se importa com seu cio, foi talhada na luxúria,
De prazer em prazer vai moldando sua carne fresca e fundindo-se em outros,
É pura, singela, natural e simples; porém, agressiva, áspera e adversa.

Desconstruiu seus castelos de areia e montou sua choupana de amores,
Ventou em pradarias , cantou em guetos, berrou aos quarto cantos do mundo,
Choveu em caatingas, respingou-se em areais e queimos-se nos cerrados,
Desativou bombas amorosas, torpedeou pares e alavancou catapultas de vida.

Prefere vinho porque tem a cor de sangue, bebe champanhe pelas bolinhas,
Pise firme e sem dó, pisa no chão, pisa na grama e esmaga quem passar na sua frente,
Dura e acre, formou-se da vinagre azeda e levedou-se em diferentes massas,
Doce e meiga, criou-se para a festa, para crença, para missa e para o circo.

Ela encanta enquanto canta, ela dorme enquanto chora, ela falece enquanto perece,
Ela é universal, própria, não tem donos, coleiras ou amarras, ela é de todos,
Ela é só e ela é plena, ela é esperanto, ela é mundo,
Ela abrange tudo, ela vem de mim e de você. Ela somos nós.